Uma fazenda histórica original do ciclo do café!

O futuro Barão de Mambucaba, acompanhado por um lote de escravos, sobe a Serra do Mar e alcança o Vale do Paraíba, então habitado pelas nações indígenas Araris e Puris, ao encontro da sesmaria onde edificará a Ponte Alta, sua fazenda cafeeira. Os escravos no eito, o café secando no terreiro, a roda d’água girando, as sacas de muitas arrobas no lombo das mulas Serra abaixo, até o porto do Rio de Janeiro. Tempo de barões poderosos, escravos vigorosos e sinhás exigentes em seus solares. O século finda e os descendentes do Barão, que viveram o apogeu do Ciclo do Café, vêem acontecer o que mais temiam: a derrocada do café, a abolição do sistema escravagista em 1888 e o advento da república um ano após.


Assim, o final do século XIX encontra a Ponte Alta, entre tantas outras fazendas cafeeiras, hipotecada ao Banco do Brasil, de onde emergirá pelas mãos do negociante Conde Modesto Leal, exatamente na virada do novo século. São novos tempos e o café migra para as fazendas paulistas, com trato de imigrantes remunerados. Na antiga província Fluminense, a roda d’água já não gira para o café, a terra, tão esgotada quanto os escravos que o barão não poupava, virou pasto, alimento para o gado leiteiro.


A aristocracia escravagista é renegada, seus valores recusados, assim justificandoa demolição de prédios centenários. É o novo Brasil, anos 50 do século XX. E à Ponte Alta está reservado o papel especial de protagonista da política do interior fluminense, pois é ali que o então presidente Getúlio Vargas, amigo de Isabel Modesto Leal, neta e herdeira do Conde, consolida seu poder entre reflexões solitárias e concorridos churrascos políticos. A roda da vida gira de novo e a fazenda é vendida para Nellie Pascoli, em 1960. Mulher excepcional, pioneira como empresária no ramo de mineração (quando esta atividade era reservada apenas aos homens), aliou o temperamento artístico e apaixonado, típico de sua origem italiana, ao orgulho nostálgico pelos feitos dos antepassados d’além mar, advindo da mãe portuguesa. Resulta daí o fato da Fazenda ser vista pela primeira vez como herança patrimonial, memória nacional a ser preservada. Sua arquitetura secular é restaurada pela proprietária e a casa do engenho é mobiliada com primor, resgatando a atmosfera original. O projeto de valorização histórica iniciado por Nellie, ganha contemporaneidade comsua sobrinha e herdeira, Evelyn Pascoli, uma das fundadoras do PRESERVALE - Instituto de Preservação e Desenvolvimentodo Vale do Paraíba - e responsável pelacriação da Pousada Fazenda Ponte Alta, que dispõe-se ao turismo de patrimônio, pedagógico e de habitação, possibilitando aos hóspedes e visitantes o mágico sabor da história.


A roda d’água já não está parada. Projetou-se no tempo, reavivando o passado e revitalizando o sentimento de que as tradições de uma nação pertencem ao seu povo.


Em 17 de Novembro de 2006 a Ponte Alta é vendida para o empresário Jair da Silva Ferreira, natural de Rio Preto, Minas Gerais, que preocupado em resgatar a história do país, ele permite que a fazenda continue recebendo visitantes. Assim ele mantém o compromisso com a história do Brasil que nunca poderá ser esquecida. O Brasil agradece!

Maravilhoso!!! Esta é a palavra que, naturalmente, flui das pessoas que passam pelo menos um dia na Pousada Fazenda Ponte Alta.”

Roberto Barão